Em artigo publicado em seu blog (http://quimera-wilsonmar.blogspot.com/), intitulado “O pouco vira muito”, o professor Wilson Barretto afirma que “hoje, já se comprova que a falta da coibição da cola nas escolas leva o estudante, no futuro, a enganar os chefes e a mentir. São esses os resultados das pesquisas americanas do Josephson Institute of Ethics.”
Semelhante idéia já tinha me ocorrido, embora não passasse de uma mera suposição. De fato, a “cola” ou “fila” é algo extremamente pernicioso para a cidadania. Burlar normas, por si só, já não é honesto. Fazê-lo a fim de obter juízo de proficiência em algo que se ignora ou mal se conhece, enganando a toda a coletividade, visto que socialmente o grau obtido é reputado como algo valioso, é, sem meias-palavras, mau-caratismo.
Claro, a conduta se encontra tão disseminada, que talvez haja os que apenas queiram mostrar-se “descolados” ou “espertos” perante a turma, sentir prazer em fazer algo arriscado ou em desafiar a autoridade.
Sabemos também como o ensino por vezes é ilógico, até mesmo torturante para os alunos, boa parte dos quais apenas estuda para cumprir uma obrigação imposta por terceiros, visto que não tem consciência da importância do estudo, fazendo muitas vezes vergonha o parco conhecimento ou a pouca didática dos pretensos “mestres”, que só corroboram essa postura absenteísta dos estudantes.
Tudo isto, porém, não é motivo para um estudante, com o mínimo de noção do que é a honestidade, copiar as resposta de um colega ou fazer prévias anotações em bilhetinhos, em paredes, em bancas escolares. Quem assim procede mancha o próprio caráter, como o político que recebe propina, como o religioso que faz da fé um comércio, como o cidadão que vende seu voto. Incomparavelmente melhor é reprovar mil vezes, perder mil campanhas, pregar para milhões e não ouvir eco em ninguém, votar mil vezes com consciência e ser ludibriado em todas elas. Mas a maioria não pensa assim. São os adeptos da frase que se atribui a Agamenon Magalhães: “feio é perder”. Assim, vale-tudo para se conseguir o diploma, o cargo eletivo, os fiéis – e os tijolos e o cimento para fazer uma “puxada” nos fundos da casa.
Que lástima já ter presenciado em uma sala de aula alunos que despudoradamente abriam seus livros durante uma prova, ou que falavam em voz alta a resposta de um quesito, na ausência de um professor. Algazarra que dificultava a concentração daquele que queria cometer o pecado de fazer o exame por conta própria.
A propósito, o professor que se ausenta da sala na hora de um exame, pode ser definido como o “professor-ladrão”, que rouba a presunção de integridade de uma turma inteira, pois que sobre todos paira, com seu gesto, a suspeita de terem se beneficiado indevidamente. Penso que a fiscalização da lisura de um exame é condição básica da existência da própria escola, sem o que seria melhor acabar com a mesma.

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